Textos sobre Homeopatia

A Mente

25 de Fevereiro de 2010

Se atentarmos para o fato de que a morte não encerra o nosso pensamento, se percebermos que o pensamento continua após a morte, veremos que a mente tem proporções muito mais amplas do que o aqui e o agora.  Quando dormimos parte de nossa mente acompanha o processo de inconsciência, há relatos  inclusive que alguns pacientes durante paradas cardiorrespiratórias se viram de fora do corpo sendo reanimados. Essa mente que se expande para fora do indivíduo tem uma participação fundamental em todo o processo desde o nascer até o morrer. Tudo leva a crer por intermédio de depoimentos dessas pessoas que passaram por reanimações, que o pensamento se adapta à nova realidade. Quando falamos que todas as causas de doenças vêm de nossa própria mente, somos logo abordados com a pergunta: - E as doenças congênitas? Respondendo, as doenças congênitas advém também dessa mente ampla que agora se prepara para ocupar um novo corpo, agora com outros aspectos advindos do mundo espiritual, e acredite esse mundo espiritual a que me refiro aqui não tem nada a ver com nenhuma viagem mística de minha parte. A mente humana ainda é um território pouco compreendido e muito especulado, mas o fato é que nossa mente viaja por todas as dimensões, do sonho à vigília, e penetra por mundos muitas vezes ininteligível pela mente consciente. Precisamos no entanto, observar mais e nos atermos ao fato de que somos os responsáveis por cada passo que damos, quer ele seja consciente ou não e tanto a doença como a saúde são de nossa plena responsabilidade. Nossa mente dotada de sentimentos e emoções é o comandante pleno do nosso corpo e não teremos êxito no processo de salutogênese sem trazermos a plena consciência para nossas próprias mãos.

O Caminho

28 de Outubro de 2009

     Há momentos na vida em que nos deparamos com bifurcações em nosso  caminho e temos que fazer escolhas e exercer nossa maturidade, estes momentos podem ser momentos muito marcantes como uma doença, um acidente ou algo que gera um movimento de destruição do nosso antigo padrão de comportamento. Tais forças regem nossa alma para que tenhamos a coragem necessária para promover mudanças.      Qual a medida de um homem e no que ele se transforma pela sua vontade? O que é levar um homem aos mais altos fins da existência? É ferir seu livre arbítrio ou fazê-lo despertar, discernir o bem do mal e fazer a sua escolha?      O caminho da cura já é percorrido quando a procura se instala, é certo que nem sempre existe a consciência da busca e em alguma instância, ainda que física, já começa a se processar o movimento do caminho. Ao nascermos, de alguma forma já começamos uma busca inconsciente pelo caminho de volta, a unidade com o eterno. Usamos ao longo da estrada muitos meandros , muitos atalhos para chegar a verdade, ainda que achemos uma trilha sombria e obscura, por ali perpassa a bifurcação da escolha pelo retorno. Sempre haverá dois caminhos e muitas escolhas ou poucas, ou paramos ou seguimos. À nossa alma importa a chegada , o objetivo e os meios que serão usados são vários, tantos caminhos, tantas possibilidades de aprendizado, tantos disfarces que muitas vezes diante da adversidade  não nos damos conta do que há por trás do infortúnio. O vôo começa pela corrida na terra, pelas várias tentativas de alçar vôo. Diante do precipício sempre achamos que vamos cair, mas em algum momento alçamos vôo e vencemos o abismo e vemos do alto tudo pelo qual sofremos e constatamos o quanto era importante estarmos em terra  tentando, vivenciando as dificuldades do vôo. Às vezes é preciso a chuva para molhar a terra, é preciso a tempestade para lavar a cidade, e se o dilúvio for necessário para o despertar do homem, a vida lançará mão de tudo isso durante o caminho. A queda d’água é majestosa, mas o caminho percorrido pelo rio é sinuoso e antes da água chegar a seu objetivo ela toma força para se lançar para um de seus maiores objetivos, onde a cachoeira se faz presente, para depois de um longo caminho se entregar definitivamente ao mar e se reconhecer plena, sem fragmentações. E qual a diferença entre uma gota e um oceano? Depende do tamanho do corpo que está mergulhado ali. Para o germe a gota é o oceano…

O Mapa do Seu Corpo

12 de Setembro de 2009

      Você já observou as partes do seu corpo? Por que sua mão é assim, por que seu pé tem um jeito, por que sua barriga é proeminente, por que a coluna tem algum desvio etc. Observe  que o corpo está cheio de sinais, além de rugas curvas, proeminências. O corpo traz a nossa história, o nosso mapa, ele mostra como foi nossa vida até aquele momento, como agimos, como amamos, como somos. Devemos estar sempre atentos aos sinais para que interpretemos com a devida atenção, afinal as mensagens estão lá e qualquer bom leitor poderá ver os traços das mensagens enviadas. Uma dor por exempo, nos dá sinais, e em vez de apenas tomar um analgésico, pare, pense, analise por que ela surgiu, o que trouxe essa dor , que tipo de barreiras, que tipo de  resistências surgiram antes de sua expressão; nada contra tomar um analgésico para dor, mas não tome sem antes se perguntar o que trouxe essa dor, que causas emocionais antecederam o problema físico, talvez depois que você tome consciência dela ela nem retorne e talvez o analgésico seja desnecessário. Se não for, tome seu medicamento, mas não deixe de pensar, de avaliar o porquê da dor. Avalie seus sentimentos, suas reações e acima de tudo, tome consciência de seu corpo, tenha pelo menos uma leve noção de si mesmo, acorde e tome consciência de que cada parte de seu corpo traz a história da sua vida. Tudo o que você fala, ouve e sente vai ficar impresso no seu corpo, porém é preciso que você aprenda a ler nas entrelinhas toda a sua história e ao se apoderar dela você consiga transformar aspectos ditos negativos em oportunidades  de aprendizado para sua vida.As marcas deixadas pelas vivências são fluxos de sentimento gravadas  no corpo formando um histórico da emoção. Esse histórico não fica apenas impresso no corpo, mas registrado na mente, fisicamente como estímulo neural. O neurônio marcado por uma vivência anterior quando estimulado por qualquer outro estímulo semelhante reage, gerando uma sensação desagradável ou agradável dependendo do tipo de memória anteriormente registrada. Observe atentamente as marcas de seu corpo, e analise com carinho suas dores, suas formas, porque eles retratam os caminhos trilhados pela sua alma. 

O Que a Mente Faz Com Nossos Corações

23 de Junho de 2009

Se tentarmos observar os nossos sentimentos e nossas emoções veremos quanta coisa fica embaixo do tapete, sentimentos calados, emoções dobradas. Pagamos um preço alto sobre tudo o que sentimos e calamos, a mente vai dirigir então todo o sentimento para o nosso corpo distribuindo a emoção “calada” para outro sítio de ação. Lá pelas tantas tais emoções silenciadas se mostram, deixando transparecer a um habilidoso leitor o retrato das emoções contidas que mais cedo ou mais tarde serão reveladas. Como Cérbero o guardião dos mundos inferiores de Hades a Mente trata de guarnecer a saída dessas emoções pelo entendimento, mas o corpo reage e se revela tentando fugir ao engodo do inconsciente. Então logo a seguir virão toda a espécie de manifestações mórbidas para que a Consciência retome seu lugar de origem e leve as emoções ao endereço certo, para que sejam verbalizadas ao serem sentidas e expressadas de forma clara sem os subterfúgios do inconsciente, trazendo a razão ao corpo, mas não essa razão falsa que não revela sentimentos mas uma racionalidade verdadeiramente consciente libertando paixões, descobrindo desejos  escondidos, expondo emoções esquecidas no tempo, trazendo de novo  à tona a alma escondida do sentimento guardado inutilmente.

A Couraça

15 de Junho de 2009

Em 2006 ao ir para uma sessão de psicanálise, chegando lá, comi alguns frutos de cajá que se encontravam no chão caídos de uma grande cajazeira do jardim. Ao olhar seu tronco havia muitas raízes que percorriam de baixo para cima o tronco, este por sua vez tinha veios grossos na casca extremamente dura.

Ao olhar antes para o tronco da cajazeira, quando ia lá outras vezes, julgava que aquelas raízes que subiam na planta eram próprias e que o cajá em forma de semente se assemelhava àquela estrutura. Mas ontem ao chegar bem perto, comecei a alisar a árvore, o contato de minha mão com o tronco e com aquelas raízes me fizeram perceber que as raízes que eu tocava ao longo do tronco não faziam parte de sua gênese; qual foi minha surpresa ao perceber se tratar de várias raízes de outra planta que  parasitavam a cajazeira; tentei em vão arrancá-las do tronco mas havia varias raízes grossas como que incrustradas na árvore; eram veios profundos, confundidos da relação entre as duas plantas. Imediatamente me veio a idéia da couraça que Reich tanto falava e de como é difícil se libertar dela. Não havia como tirar a comensal sem causar algum dano a planta que a alimentava, no caso a cajazeira. Tudo isso me remeteu a minha vida, as dores que sentia na época, no plexo solar, no chakra cardíaco e em outras parte do corpo que refletiam essa resistência do meu corpo, da minha couraça, do meu tronco (fazendo uma analogia com a árvore) em retirar determinadas situações ou pessoas de minha vida que estavam enraizadas a mim e me faziam sentir como parte delas. Imagino que se tentássemos tirar tais raízes daquela planta, com certeza sua inteligência captaria aquilo como injúria e com certeza sofreria com aquela aparente agressão.Assim é nosso corpo, ao tentarmos retirar a couraça, sofremos, nos debatemos e assimilamos como dor algo que deveria nos dar alívio e prazer, porque intrinsecamente a isso se associa uma grande libertação.

Neste momento chove e a chuva me traz uma sensação gostosa de transformação, de broto verde, de cheiro de relva, de capim que cresce, de renovação e acima de tudo de transformação. Não há o que temer quando nos deixamos levar pelo fluxo da vida, como uma folha ao vento pousamos com certeza em algum lugar melhor depois da tempestade.

O Processo Terapêutico

30 de Outubro de 2008

O processo terapêutico  se dá de forma bilateral, ele ocorre à medida que o paciente se disponibiliza dentro de seu caminho de cura. Tanto na forma convencional, como nas outras formas de tratamento, o paciente só terá êxito se ele de fato estiver aberto à sua própria investigação, do contrário ele será um mero tomador de remédios e terá sempre um tratamento imediatista, na medida de sua disponibilidade para consigo mesmo, não terá uma resolução profunda de seu problema ficando apenas no sobrenadante.

Há uma tendência por parte da maioria dos pacientes a pensar que o médico tem a fórmula mágica para todos os seus problemas de saúde, e de certa forma é claro que o médico prescreverá algo que venha a melhorá-lo de um modo geral, mas se o paciente busca uma terapia mais profunda terá que se responsabilizar pelo seu desempenho, afinal existem questões emocionais e físicas intimamente intricadas neste processo e cabe ao médico conduzir o paciente se ele assim o desejar a caminhos que possam levá-lo a isso. O tratamento jamais deverá ser restrito à prescrição de pílulas e fórmulas, o médico envolvido com seu paciente deverá ter em mente a alimentação, hábitos de vida, aspectos anatômicos desse paciente etc, bem como investigar sobre o passado e o presente do paciente em questão, buscando trabalhar de forma ampla e profunda o mecanismo que levou seu corpo a adoecer, ajudando-o a encontrar as respostas contidas em si mesmo e levando-o a despertar a consciência esquecida em seu próprio corpo. A medicina, quer seja ela convencional ou não, fracassará toda vez que não obedecer a esta regra e enquanto o paciente não entender que o processo terapêutico depende da sua participação, e deixar apenas para o médico uma tarefa também de sua responsabilidade, a resolução ficará restrita ao físico deixando uma demanda em potencial subjacente ansiando por ser tratada e que, mais cedo ou mais tarde, trará as consequências de sua inconsciência.

Dra. Patrícia Guaurino

A Massagem Rítmica

28 de Agosto de 2008

A Dra. Ita Wegman, com a colaboração da Dra. Margarethe Hauschka, elaboraram esta arte terapêutica a partir de 1921, tendo como base a massagem sueca e deram novas qualidades ao toque e seqüências de tratamento. Esta massagem equilibra e harmoniza os três sistemas ( neuro-sensorial, rítmico e metabólico); prepara o corpo físico para que os corpo supra-sensíveis possam permeá-lo. Cada movimento realizado pelo terapêuta equivale a um processo rítmico de respiração ( inspiração e expiração) e na circulação equivale os movimentos de contração e relaxamento (sístole e diastole). Esta massagem mobiliza os líquidos e depósitos estagnados, aera, aquece e elimina-os.

Para Ita Wegman e Margareth Haushca, a Massagem Rítmica consiste, num ligar e soltar diferenciado, numa possibilidade de reforçar a relação entre os membros constitutivos, por meio do movimento rítmico, provocando uma inserção mais profunda do Espírito e da Alma no corpo; ou então de soltá-los, a fim de restabelecer o equilíbrio perturbado.

Vera Macedo
Enf. e Massagista Rítmica

O tratamento dura em média doze sessões realizadas duas vezes por semana e cada sessão dura cerca de 30 minutos, mais um período de descanso de 20 minutos.

Homeopatia X Medicina Antroposófica

22 de Agosto de 2008

O que a Alopatia tem a dizer da Homeopatia? Certamente dirá, como já tem dito que a Homeopatia possui um efeito placebo etc, mas o que mais chama atenção, pelo menos a mim, é como os Homeopatas e Médicos Antroposóficos se comportam, posso falar com bastante tranquilidade em relação às 3 formas de ver o paciente pois tenho as 3 formações; como Anestesiologista, sou bastante alopata, e não há como não sê-lo em sala cirúrgica, como Homeopata conheço bem o parágrafo nove do Organom, livro que Hahneman escreveu, em que Ele fala de que o médico deve levar o paciente aos mais altos fins de sua existência, e não sei se percebem mas coloco Ele com letra maiúscula quando me refiro a Hahnemann devido ao grau de respeito que sinto por Ele com toda sua sabedoria quando percebeu e criou a Homeopatia. No entanto não posso deixar de curvar-me a sabedoria do Sr. Rudolf Steiner quando trouxe os conhecimentos da Antroposofia para a Medicina Antroposófica e aplicou de forma profunda assimilando os conhecimentos de Hahnemann e aprofundando esses conhecimentos para a Medicina Antroposófica de forma perfeita e sem falsa modéstia aperfeiçoando esses conhecimentos, junto claro, com a Dra Ita Wegman, sua mais fiel seguidora. Quando Steiner trouxe os conhecimentos da Antroposofia, ele não só usou os conhecimentos terapêuticos homeopáticos, como os aperfeiçoou, quando juntou a essa farmacopéia à farmacopéia antroposófica, mais uma vez junto com a Dra. Ita Wegman. Que meus colegas homeopatas me perdoem mas não posso deixar de nesse artigo expor o que penso dessa fragmentação de comportamento entre Homeopatas e Antropósofos. Onde está a unidade? Onde está o Paciente, este que é a Pessoa mais importante em questão? Se os Alopatas entrincheirados em seus conhecimentos pseudofarmacológicos agem assim, é porque ainda não se dispuseram a conhecer este caminho de cura, porém acho que é necessário que os colegas Homeopatas conheçam a Medicina Antroposófica e que os colegas Médicos Antroposóficos que não passaram pela Homeopatia se deixem abrir aos conhecimentos homeopáticos de forma que juntos possamos unir forças a favor dos nossos pacientes e usarmos tanto a Alopatia quanto a Homeopatia e a Medicina Antroposófica para levarmos não só os pacientes mas também nós ” Aos altos fins da existência”.

Dra. Patrícia Guaurino

A História da Homeopatia

21 de Maio de 2008

Criada pelo médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann que nasceu a 10 de Abril de 1755 em Meissen, na Saxónia um estado da Alemanha. Ao traduzir a obra “As leituras da Matéria Médica” de Cullen, Hahnemann escreveu uma anotação onde criticou a opinião do autor sobre os efeitos da quina no tratamento da malária, que dizia tratar pelo seu sabor amargo. Hahnemann resolveu tomar a quina e observou que a substância curava a malária não pelo seu sabor amargo, mas por causar os efeitos semelhantes aos da malária se tomada por alguém saudável, o que ele experimentou. Isto dá origem ao primeiro enunciado do princípio da semelhança que norteia toda a homeopatia.
Hahnemann confirmou as suas descobertas com a chinchona, ao observar que os trabalhadores das fábricas de quinino sofriam do envenenamento da chinchona, que era semelhante à febre intermitente. Hahnemann chegou a conclusão que uma substância pode provocar as condições mórbidas de doença como curá-las, quando testado em voluntários humanos saudáveis, e experimentou que mesmo em doses menores permanecia um efeito terapeutico mais marcante e duradouro. Nascia aí a Homeopatia, primeira medicina baseada em evidências , que até então não existia.

Medicina Antroposófica e Homeopatia Não são Tratamentos Lentos

21 de Maio de 2008

Ao contrário do que muitos pensam a Homeopatia e a Medicina Antroposófica não são tratamentos lentos em doenças agudas como a maioria das pessoas pensam…otites, amigdalites,crises asmáticas podem ser tratadas tão rapidamente com homeopatia e Medicina Antroposófica quanto com a medicina alopática convencional, apenas o paciente receberá doses menores e menos agressivas ao seu corpo e com resultados mais duradouros. Nas doenças crônicas os resultados também se observam de forma mais satisfatória com o tratamento homeopático e antroposófico.
O mais importante de tudo isso é levar em consideração o que causou o adoecer de cada paciente, as expressões ditas “doenças” podem se parecer, mas se individualizam nos aspectos emocionais de cada paciente e isso tem de ser levado em conta pelo médico.
É claro que exames são necessários, o mais importante é o olhar individualizado do médico para o seu paciente anotando todas as observações ao longo do caminho que leva a uma cura INTEGRAL, visando a parte afetada sem esquecer do TODO que deflagrou o processo.

O intuito deste texto no entanto não é separar as várias formas de tratamento, mas uní-las de forma que se ofereça o que há de melhor para o paciente visando equilibrá-lo e reintegrá-lo ao convívio social de forma saudável e feliz.

Patrícia Guaurino